Dicas De (Para) Um Programador Afobado

a.fo.ba.do
adj (part de afobar) 1 Azafamado, apressado. 2 Atrapalhado, atarantado, perturbado.
ou
“Quem quer fazer algo, sem as preocupações necessárias, antes da hora.”

É engraçado citar um termo usado há uma década atrás; “Era da informação”. Parece clichê mas especialistas afirmavam que viveríamos num período onde o “conhecer” seria mais importante que muitos bens materiais. Hoje, países já travaram guerras cibernéticas, profissões ligadas à tecnologia se expandem cada vez mais, startups surgem a todo momento, percebemos que o mercado está mais interessado em pessoas que saibam o que estão fazendo ao invés de mostrar um diploma ou certificação (polêmicas rs).
Com todo esse boom cibernético e velocidade com que a informação se dissemina e morre, muitos de nós, programadores de sofwares, nos tornamos afobados. O mercado exige uma velocidade no aprender e aperfeiçoar que nos adoace com muita facilidade e é preciso um exercício diário para percebermos se estamos exigindo mais do que deveríamos de nós mesmos.
Como você pode perceber, esse texto é bem diferente dos anteriores, abaixo digo algumas dicas que eu deveria ter lido/ouvido bem no início da carreira.

Você não sabe tudo, nunca saberá e nunca precisará saber

Como eu disse acima, o tempo de clico de vida de um conhecimento é relativamente muito curto e tudo acontece numa velocidade muito alta (há 10 anos, apostaríamos em linguagens dinâmicas e interpretadas pra desenvolvimento de software? Alguém imaginaria javascript no servidor?). Eu não possuo nem uma década de profissão e já vi navegadores perdendo/ganhando espaço, linguagens de programação se reinventando pra sobreviver, práticas que antes eram os ovos dourados dos estudiosos sendo totalmente ignoradas. Nesse exato momento novas tecnologias que podem mudar tudo, agora ou daqui a anos, estão surgindo e você não tem como apalpar isso, ninguém tem, então respire e não caia no problema do mercado exigindo todas as tecnologias do mundo. Você sempre irá trabalhar em um time onde os conhecimentos se completam, pense nisso.

Não se compare demais (nem “de menos”) com seus colegas de trabalho

Pelo menos uma vez na vida você irá trabalhar com alguém inspirador (eu realmente amo trabalhar ao lado de pessoas assim), alguém que só de estar no mesmo ambiente que você, já te motiva a estudar mais e … ser como ela. E aí está um erro, você é um indivíduo único, e precisa achar o seu caminho pra se tornar um “eu” melhor e não se tornar exatamente um “outro”.
Por quê eu disse pra não se comparar “de menos”? Às vezes estamos tão imersos na obsessão por conhecimento ou naquela inspiração, que perdemos boas formas de aprendermos outras coisas com nossos colegas de trabalho. Um colega de trabalho que acorda de madrugada, vem de outra cidade todos os dias e gasta 3 horas de viagem, com certeza tem algo a nos ensinar. Não estamos aqui só pela tecnologia, pessoas e interações mais do que processos e ferramentas, por mais difícil que isso seja, até para mim.

O produto não é seu

Em um dos (incríveis) episódios da (incrível) série Breaking Bad, o (incrível) personagem Jesse pinkman mostra numa cena curta sua maior paixão, o que ele passaria anos da vida fazendo. Ele aparece acariciando o que seria sua extraordinária caixa de madeira, polida, simétrica, o produto perfeito.

Para ser afobado, é preciso querer chegar a algum lugar, no nosso caso queremos criar o software ou funcionalidade. Unindo isso ao comum fato de que sempre queremos chegar no (nosso) melhor, usando as melhores ferramentas e práticas, poderíamos facilmente nos comparar com aquela cena. Amar o que se faz (que é diferente de fazer o que ama) é indispensável, mas demorou um pouco pra eu perceber que aquele novo projeto da empresa, que passaríamos talvez anos trabalhando não é… meu. A caixa do Pinkman não é dele, ele trabalhou duro, fez o melhor que pôde com o melhor que tinha, para entregar valor a alguém. Antes de ser o seu software perfeito, o projeto em que você está é um produto que pretende dar lucro a alguém e pra dar o seu sonhado aumento de salário.
Você só pode chamar de seu, projetos pessoais, no github , e mesmo assim, o open source inclui contribuições e às vezes o projeto que você ama acaba seguindo caminhos que nem você esperava.

Escute (e debata muito com) os mais velhos

Nesse caso, mais velho é na verdade alguém que têm mais vivência que você num certo contexto. E se uma pessoa já está naquele contexto há tempos, espera-se, de forma preconceituosa que ela saiba mais que você e por isso é importante sim saber parar e ouvir o que ela tem a dizer. Também aproveito pra dizer que uma das melhores coisas que você pode fazer é debatar logo após que ela expôr seu argumento, claro, com argumentos e questionamentos é uma boa forma de se aprender.

Veja a vida como um grafo e não como uma árvore

A geração Y cresceu ouvindo sobre sucesso profissional, sobre trabalhar numa grande empresa multinacional por 20 anos, virar gerente, “ohh, ele é gerente”, e etc. De tanto pensarmos assim acabamos vendo a vida como uma árvore bottom up, ou seja, começamos de uma folha e queremos chegar na raiz, o estado de sucesso.
Mas se a vida for vista de outro panorama, como um grafo cíclico, que você possui vários estados, e não necessariamente níveis, será mais fácil entender que vários desses estados são bons e que podem ser reconhecidos como sucesso :)

Conclusão

As dicas podem parecer mais imperativas do que deveriam e muito negativas também (você não sabe, não se compare, não é seu…), mas como definimos no começo do post, um afobado pode estar numa velocidade tão alta e numa inquietude tão grande, que é preciso pisar no freio e aproveitar bem o passeio. Um certo alguém me disse bons conselhos uma vez, eu pensei bastante sobre eles, e estou repassando-os com conclusões parciais.

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